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Diário aos Caracóis

Diário aos Caracóis

04
Mar21

Garantido? Só a morte.

aMarques

Recentemente envolvi-me num debate aceso por não dar nada como garantido, por não sentir que as circunstâncias actuais, as relações actuais e tudo aquilo em que eu possa estar envolvida física e psicologicamente hoje em dia seja algo definitivo e eterno, seja algo meu, a minha realidade permanente, e com tal comportamento nunca seria alguém estável ou fiável.


Conseguem ter a certeza que o céu será cinzento para sempre? Ou que vai fazer sol garantidamente todos os dias? Então porque raio é que eu devo ter a certeza que vou atender telefones até á reforma? Ou que independentemente daquele pequeno número (milhões) de factores que compõe uma relação, eu irei ficar com X pessoa, ou dar-me com Y pessoa para sempre?


A única coisa que temos garantida nesta vida é a morte, de resto, tudo está em constante mudança a toda a hora pelas mais variadas razões.


Não percebo onde é que eu pequei por querer fazer mais e melhor todos os dias mesmo que isso signifique alterar o meu emprego, alterar as minhas relações, alterar a terra em que resido, arriscar num novo projecto, alterar o que quer que seja conforme as circunstâncias me permitam ou me obriguem.


Se é isto que faz de mim alguém instável e pouco fiável, tudo bem, seria pior se me conformasse com tudo e não tentasse algo mais.

02
Mar21

Costela Bukowski

aMarques

A minha costela Bukowski anda a fazer das suas.

Gosto de usar, carinhosamente, o termo “costela Bukowski” para definir os vários tipos de pensamentos e palavras que fluem sem qualquer tipo de cagança ou pudor, sem o carimbo do politicamente correcto, como se costuma dizer, a verdade nua e crua (aos meus olhos, claro está).

(Nascemos todos com essa costela).

Sempre tive tanto medo de palavras fortes, sempre tive tanto medo de ser confrontada por alguém que me fizesse vomitar os meus pensamento mais profundos e duros. Sempre fui um paspalho que quis agradar a gregos e a troianos, mesmo sabendo que se tratava de uma missão suicida e impossível.

Entretanto, chegou a pandemia, chegou o fim do tabagismo, chegou o confinamento, enfim chegaram uma serie de coisas que nos colocaram á prova e pimba, o filtro rasgou-se, agora passa o que deve e o que não deve. Não considero que isto retrate a questão de ser ou não ser uma melhor pessoa, até porque a raça humana é o que é. Para mim, o maior impacto que isto tem é mesmo a nível de liberdade, liberdade de dizer que não, de dizer o que penso, de pensar por mim, mesmo que ninguém na mesma sala concorde. Uma liberdade que sempre repulsei por se fazer acompanhar da assustadora amiga responsabilidade. Só custaram os primeiros passos, depois é outro mundo.

Algo (responsabilidade) que actualmente me fascina quer nos bons momentos quer nos maus momentos. A vida é curta demais para a desperdiçar a viver conforme as ideologias e crenças alheias.

27
Fev21

Obrigada a tudo e a todos

aMarques

Perdi-me completamente na questão da “lei da atracão”, a vida ou o universo (ou o que lhe queiram chamar) pregaram-me uma rasteira e agora lá terei de corresponder.

De tudo o que me recordo deste tema sobre o qual muito li, seria suposto (falando muito basicamente) ter pensamentos e crenças positivas bem como ser grato por tudo de forma a atrair mais situações/coisas semelhantes. No entanto, nestes meus 32 dias, 8 horas, 59 minutos e 38 segundos sem tabaco, tenho praguejado, tenho dito asneiras, tenho pensamentos pecaminosos, tenho estoirado cada neurónio paciente das pessoas que me são mais próximas (4 ou 5), em suma, tenho sido tudo menos grata e positiva.

Posto isto, hoje depois do trabalho (depois de muito praguejar durante o meu maravilhoso dia) resolvi que iria transformar a sala de tralhas em algo que de facto se parecesse com um escritório uma vez que é lá que (tele)trabalho, uma espécie de feng shui assim muito aldrabado, correu tão bem que até a “preguiça” cá de casa se envolveu no assunto, o resultado foi óptimo, entre as arrumações e o resultado, o ódio, o stress e a raiva foram acalmando.

Quando terminámos, olhei para o telemóvel e para meu espanto tinha subscritores (vocês dois são os maiores), tinha comentários (obrigada pela correcção e pelo alerta), tinha sido adicionada aos favoritos de alguém (super grata e espantada) e estava nos destaques (não sei bem como funciona, mas obrigada SAPO Blogs).

Não me levem a mal mas sinto mesmo gratidão e entusiasmo, para mim foi uma motivação e um mimo que veio mesmo a calhar e as vezes são estes pequeninos grandes detalhes que na hora ou momento certos nos fazem mudar o foco.

Por isso, muito obrigada pelo dia de hoje (26/2) a tudo e a todos!

17
Fev21

Tolerância zero

aMarques

A minha tolerância está no seu mais baixo nível, não vale a pena ser hipócrita, adoraria escrever algo politicamente correcto mas não me é possível de momento. Tenho várias fontes que poderiam ser culpabilizadas por esta escassez de tolerância e paciência para o mundo e para os seus respectivos habitantes, poderia culpar o confinamento ou a pandemia, o stress do meu emprego, a abstinência da minha rica nicotina ou até mesmo o facto de ontem me ter corrido bastante mal tudo aquilo que tentei cozinhar…

Assim de soluções mais básicas posso optar por mudar de planeta, cultivar dinheiro em vez de trabalhar para o ganhar, voltar a fumar e arranjar alguém que alinhe neste meu plano que para além de saber cozinhar também saiba tratar de todas as outras lides. Isto na minha cabeça seria assim o ideal, para ontem.

Dadas as circunstancias, estou a pensar mudar de amaciador de roupa, ambientadores domésticos e talvez de champô, não saio de casa mas sempre cheiro outra coisa. Para o stress, vou respirar fundíssimo várias vezes ao dia até chegar ao ponto zen de estar mais grata do que irritada pelo meu rico trabalho. No que toca a fumar, vou continuar a comer desalmadamente até ganhar umas curvas e perder o ódio que reside em mim. Respeitante á culinária vou optar por não deixar as coisas ao lume enquanto me sento no sofá a comer e a ver televisão e perco a noção do que tenho ao lume ou no forno, parece-me mais sensato se calhar ler um livro junto do tacho.

Enfim, foi só um desabafo ligeiro do mood de hoje.

15
Fev21

Abstinência da nicotina

aMarques

Deixei de fumar há 17 dias, 20 horas e 51 minutos e estou a passar pela minha primeira TPM pós abstinência… Posso confidenciar que estou a explorar com grande sucesso alguns sentimentos profundos, como o ódio, a ira e a raiva. Tão depressa me apetece gritar com os vizinhos e cobrir de purpurinas os carros mal estacionados aqui da minha rua como logo a seguir estou tranquilamente a jantar pela segunda vez, note-se que não é repetir o prato ao jantar, é mesmo jantar pela segunda vez! O meu nível de apetite está desequilibradamente elevado, o que para mim é óptimo pois até agora tenho vindo a exibir um corpo “cotonético”.

Obviamente que, brincadeiras á parte, quem já experienciou deixar de fumar sabe o quão horrível é nos primeiros dias, no que a mim me toca optei por fazê-lo sem qualquer ajuda química, entre o 2º e o 5º dia foi o pior período, depois disso continua mal, mas claro que começa a acalmar.

Entre os milhentos benefícios que esta demanda nos oferece, o meu favorito é aquele a que gosto de chamar “limpeza social”. Sabemos que quando a ira ou a zanga nos cega é quase como se estivéssemos embriagados, escapam-nos palavras menos bonitas, verdades mais duras ou até mesmo frases aleatórias cujo único objectivo é ferir o ego do nosso “opositor” e como tal nem todos (aqueles nossos amicíssimos) estão capacitados a compreender, aturar ou perdoar-nos estes momentos e é aí que a minha mesa fica com menos uma nódoa na toalha.

No primeiro impacto sentimos aquela alfinetada no peito, momentos a seguir sentimos o alívio.

Para finalizar aconselho a ter sempre uma caixa de Halls Mini Mints no bolso e também foi importante ter o companheiro e a minha bebe de quatro patas ali á mão de semear, sobreviveram com distinção!

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