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Diário aos Caracóis

Diário aos Caracóis

26
Mar21

Diz que escorreguei

aMarques

Neste momento quero escrever 1000 coisas ao mesmo tempo, mas estou parada a olhar para a página em branco sem saber por onde começar. Bom, um texto para cada tema, parece-me ser o mais sensato e produtivo a fazer.

Posso começar por dizer que ao final de 55 dias sem nicotina, fumei, pontualmente, apenas naquele dia, mas fumei, 4 cigarros. Não tenho qualquer tipo de desculpa que justifique a minha recaída, apenas posso afirmar que este mês de Março não está a ser fácil e que naquele dia passei por uma situação muito stressante com a qual não soube lidar e antes que escalasse para algo pior, acendi o cigarro.

Ao final do dia a situação ficou resolvida e o arrependimento bateu-me á porta, quando abri a porta apercebi-me que vinha com mais convidados, a recriminação, a vergonha, o falhanço, a cobardia, enfim, uns quantos sentimentos e sensações que deixei que me consumissem na altura. Sou muito prática nesse aspecto, antes de alguém me apontar o dedo, já eu estou na fila com a lista de tudo o que pretendo apontar a mim própria. Com amigos como eu na minha vida, não preciso de inimigos.

Após espancar-me emocionalmente comecei a lamber as feridas, não no sentido de arranjar desculpas para o efeito mas no sentido de “sou um ser humano que durante 15 anos fumou todos os dias, o mal está feito, por isso é levanta e recomeçar”.

Uma vez que o mal está feito, estou em crer que devia ter começado logo por esta última parte e não dramatizar, mas de cabeça fria todos somos uns poetas.

04
Mar21

Garantido? Só a morte.

aMarques

Recentemente envolvi-me num debate aceso por não dar nada como garantido, por não sentir que as circunstâncias actuais, as relações actuais e tudo aquilo em que eu possa estar envolvida física e psicologicamente hoje em dia seja algo definitivo e eterno, seja algo meu, a minha realidade permanente, e com tal comportamento nunca seria alguém estável ou fiável.


Conseguem ter a certeza que o céu será cinzento para sempre? Ou que vai fazer sol garantidamente todos os dias? Então porque raio é que eu devo ter a certeza que vou atender telefones até á reforma? Ou que independentemente daquele pequeno número (milhões) de factores que compõe uma relação, eu irei ficar com X pessoa, ou dar-me com Y pessoa para sempre?


A única coisa que temos garantida nesta vida é a morte, de resto, tudo está em constante mudança a toda a hora pelas mais variadas razões.


Não percebo onde é que eu pequei por querer fazer mais e melhor todos os dias mesmo que isso signifique alterar o meu emprego, alterar as minhas relações, alterar a terra em que resido, arriscar num novo projecto, alterar o que quer que seja conforme as circunstâncias me permitam ou me obriguem.


Se é isto que faz de mim alguém instável e pouco fiável, tudo bem, seria pior se me conformasse com tudo e não tentasse algo mais.

02
Mar21

Costela Bukowski

aMarques

A minha costela Bukowski anda a fazer das suas.

Gosto de usar, carinhosamente, o termo “costela Bukowski” para definir os vários tipos de pensamentos e palavras que fluem sem qualquer tipo de cagança ou pudor, sem o carimbo do politicamente correcto, como se costuma dizer, a verdade nua e crua (aos meus olhos, claro está).

(Nascemos todos com essa costela).

Sempre tive tanto medo de palavras fortes, sempre tive tanto medo de ser confrontada por alguém que me fizesse vomitar os meus pensamento mais profundos e duros. Sempre fui um paspalho que quis agradar a gregos e a troianos, mesmo sabendo que se tratava de uma missão suicida e impossível.

Entretanto, chegou a pandemia, chegou o fim do tabagismo, chegou o confinamento, enfim chegaram uma serie de coisas que nos colocaram á prova e pimba, o filtro rasgou-se, agora passa o que deve e o que não deve. Não considero que isto retrate a questão de ser ou não ser uma melhor pessoa, até porque a raça humana é o que é. Para mim, o maior impacto que isto tem é mesmo a nível de liberdade, liberdade de dizer que não, de dizer o que penso, de pensar por mim, mesmo que ninguém na mesma sala concorde. Uma liberdade que sempre repulsei por se fazer acompanhar da assustadora amiga responsabilidade. Só custaram os primeiros passos, depois é outro mundo.

Algo (responsabilidade) que actualmente me fascina quer nos bons momentos quer nos maus momentos. A vida é curta demais para a desperdiçar a viver conforme as ideologias e crenças alheias.

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