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Diário aos Caracóis

Diário aos Caracóis

21
Nov21

Obrigada medo meu

aMarques

Todos temos os nossos medos, todos temos aquelas sombras negras, que em algum momento, se libertam do seu canto do nosso inconsciente e mostram-se fortes para nos fazer abrandar no caminho.


Apesar de chatas, são importantes, se soubermos trabalhar em conjunto com elas.


Se o medo não existisse, nunca teria conhecido a coragem, a vitória, a superação...


Neste momento eu sinto medo, as sombras que andavam calmas no meu inconsciente vieram á tona para me lembrar que estou prestes a iniciar um caminho com riscos, ás vezes este medo faz-me chorar e querer colo, mas hoje apetece-me abraçar o medo, apetece-me agradecer-lhe por ter estado sempre lá a fazer-me agir com cautela, apetece-me agradecer pelas vezes que me fez recuar com toda a razão de ser, apetece-me dizer-lhe que não estou chateada com ele por me fazer ficar com o peito apertado, apetece-me abraça-lo e dizer-lhe que tem o meu perdão pelas vezes que me atrasou e pedir-lhe desculpa pelas vezes que o ignorei e segui em frente sem o levar a sério.


Muitas vezes tendemos a separar as emoções boas das más, mas até que ponto isso é correcto? Todas elas não passam de emoções simples que nos ajudam a experienciar tudo a todos os segundos... seria como dizer que os dias de calor são bons e os dias de chuva são maus... que disparates, ambos são estados climatéricos simplesmente e bem necessários.


Hoje apeteceu-me ter consciência que tenho medo, mas também tenho coragem... por isso tenho fé que daqui a um ano sensivelmente possa olhar para trás de mão dada com a superação e reconhecer a vitória de todas as minhas emoções.

26
Mar21

Diz que escorreguei

aMarques

Neste momento quero escrever 1000 coisas ao mesmo tempo, mas estou parada a olhar para a página em branco sem saber por onde começar. Bom, um texto para cada tema, parece-me ser o mais sensato e produtivo a fazer.

Posso começar por dizer que ao final de 55 dias sem nicotina, fumei, pontualmente, apenas naquele dia, mas fumei, 4 cigarros. Não tenho qualquer tipo de desculpa que justifique a minha recaída, apenas posso afirmar que este mês de Março não está a ser fácil e que naquele dia passei por uma situação muito stressante com a qual não soube lidar e antes que escalasse para algo pior, acendi o cigarro.

Ao final do dia a situação ficou resolvida e o arrependimento bateu-me á porta, quando abri a porta apercebi-me que vinha com mais convidados, a recriminação, a vergonha, o falhanço, a cobardia, enfim, uns quantos sentimentos e sensações que deixei que me consumissem na altura. Sou muito prática nesse aspecto, antes de alguém me apontar o dedo, já eu estou na fila com a lista de tudo o que pretendo apontar a mim própria. Com amigos como eu na minha vida, não preciso de inimigos.

Após espancar-me emocionalmente comecei a lamber as feridas, não no sentido de arranjar desculpas para o efeito mas no sentido de “sou um ser humano que durante 15 anos fumou todos os dias, o mal está feito, por isso é levanta e recomeçar”.

Uma vez que o mal está feito, estou em crer que devia ter começado logo por esta última parte e não dramatizar, mas de cabeça fria todos somos uns poetas.

04
Mar21

Garantido? Só a morte.

aMarques

Recentemente envolvi-me num debate aceso por não dar nada como garantido, por não sentir que as circunstâncias actuais, as relações actuais e tudo aquilo em que eu possa estar envolvida física e psicologicamente hoje em dia seja algo definitivo e eterno, seja algo meu, a minha realidade permanente, e com tal comportamento nunca seria alguém estável ou fiável.


Conseguem ter a certeza que o céu será cinzento para sempre? Ou que vai fazer sol garantidamente todos os dias? Então porque raio é que eu devo ter a certeza que vou atender telefones até á reforma? Ou que independentemente daquele pequeno número (milhões) de factores que compõe uma relação, eu irei ficar com X pessoa, ou dar-me com Y pessoa para sempre?


A única coisa que temos garantida nesta vida é a morte, de resto, tudo está em constante mudança a toda a hora pelas mais variadas razões.


Não percebo onde é que eu pequei por querer fazer mais e melhor todos os dias mesmo que isso signifique alterar o meu emprego, alterar as minhas relações, alterar a terra em que resido, arriscar num novo projecto, alterar o que quer que seja conforme as circunstâncias me permitam ou me obriguem.


Se é isto que faz de mim alguém instável e pouco fiável, tudo bem, seria pior se me conformasse com tudo e não tentasse algo mais.

27
Fev21

Obrigada a tudo e a todos

aMarques

Perdi-me completamente na questão da “lei da atracão”, a vida ou o universo (ou o que lhe queiram chamar) pregaram-me uma rasteira e agora lá terei de corresponder.

De tudo o que me recordo deste tema sobre o qual muito li, seria suposto (falando muito basicamente) ter pensamentos e crenças positivas bem como ser grato por tudo de forma a atrair mais situações/coisas semelhantes. No entanto, nestes meus 32 dias, 8 horas, 59 minutos e 38 segundos sem tabaco, tenho praguejado, tenho dito asneiras, tenho pensamentos pecaminosos, tenho estoirado cada neurónio paciente das pessoas que me são mais próximas (4 ou 5), em suma, tenho sido tudo menos grata e positiva.

Posto isto, hoje depois do trabalho (depois de muito praguejar durante o meu maravilhoso dia) resolvi que iria transformar a sala de tralhas em algo que de facto se parecesse com um escritório uma vez que é lá que (tele)trabalho, uma espécie de feng shui assim muito aldrabado, correu tão bem que até a “preguiça” cá de casa se envolveu no assunto, o resultado foi óptimo, entre as arrumações e o resultado, o ódio, o stress e a raiva foram acalmando.

Quando terminámos, olhei para o telemóvel e para meu espanto tinha subscritores (vocês dois são os maiores), tinha comentários (obrigada pela correcção e pelo alerta), tinha sido adicionada aos favoritos de alguém (super grata e espantada) e estava nos destaques (não sei bem como funciona, mas obrigada SAPO Blogs).

Não me levem a mal mas sinto mesmo gratidão e entusiasmo, para mim foi uma motivação e um mimo que veio mesmo a calhar e as vezes são estes pequeninos grandes detalhes que na hora ou momento certos nos fazem mudar o foco.

Por isso, muito obrigada pelo dia de hoje (26/2) a tudo e a todos!

15
Fev21

Abstinência da nicotina

aMarques

Deixei de fumar há 17 dias, 20 horas e 51 minutos e estou a passar pela minha primeira TPM pós abstinência… Posso confidenciar que estou a explorar com grande sucesso alguns sentimentos profundos, como o ódio, a ira e a raiva. Tão depressa me apetece gritar com os vizinhos e cobrir de purpurinas os carros mal estacionados aqui da minha rua como logo a seguir estou tranquilamente a jantar pela segunda vez, note-se que não é repetir o prato ao jantar, é mesmo jantar pela segunda vez! O meu nível de apetite está desequilibradamente elevado, o que para mim é óptimo pois até agora tenho vindo a exibir um corpo “cotonético”.

Obviamente que, brincadeiras á parte, quem já experienciou deixar de fumar sabe o quão horrível é nos primeiros dias, no que a mim me toca optei por fazê-lo sem qualquer ajuda química, entre o 2º e o 5º dia foi o pior período, depois disso continua mal, mas claro que começa a acalmar.

Entre os milhentos benefícios que esta demanda nos oferece, o meu favorito é aquele a que gosto de chamar “limpeza social”. Sabemos que quando a ira ou a zanga nos cega é quase como se estivéssemos embriagados, escapam-nos palavras menos bonitas, verdades mais duras ou até mesmo frases aleatórias cujo único objectivo é ferir o ego do nosso “opositor” e como tal nem todos (aqueles nossos amicíssimos) estão capacitados a compreender, aturar ou perdoar-nos estes momentos e é aí que a minha mesa fica com menos uma nódoa na toalha.

No primeiro impacto sentimos aquela alfinetada no peito, momentos a seguir sentimos o alívio.

Para finalizar aconselho a ter sempre uma caixa de Halls Mini Mints no bolso e também foi importante ter o companheiro e a minha bebe de quatro patas ali á mão de semear, sobreviveram com distinção!

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