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Diário aos Caracóis

Diário aos Caracóis

16
Nov21

O bom filho a casa retorna

aMarques

Ia jurar que tinha apagado a minha conta... passei por aqui apenas para cuscar sobre a vida dos outros ... da forma mais real possível, uma vez que nas redes sociais todos são lindos, ricos e saudáveis, motivo pelo qual me lembro porque não tenho uma única rede social.


Acabei por ler apenas os meus próprios posts e questionar-me "porque raio haveria eu de ter apagado o meu blog?", provavelmente alguma discussão comigo própria... não me lembro.


Feitas as contas, fiquei contente... senti saudades de escrever para mim.


Bem... por hoje sinto-me satisfeita de ter dado o ar da minha graça por estas bandas aconchegantes... estou com vontade de escrever tudo sobre estes meses que se passaram, mas ao mesmo tempo nem sei por onde começar, aconteceu mesmo muita coisa de facto.


Para já, estou apenas feliz por aqui estar, já é qualquer coisa.

 

 

24
Abr21

Estúpida

aMarques

Já comecei a frase inicial deste post umas vinte vezes e vinte vezes a apaguei, parece que nem sei escrever. Lá estou eu mais uma vez preocupada com quem vai ler em vez de me preocupar em escrever o que sinto e penso uma vez que este blog é meu.

Tal como o céu lá fora, a minha mente também está cinzenta, também está nublada, também faz frio e chove cá dentro… Pergunto-me se tenho realmente motivos para estar assim e a resposta óbvia é não, tendo em conta toda a conjuntura actual, não tenho o mínimo motivo para estar tão negra. Mas estou.

Honestamente, apetece-me chamar de estúpidas às pessoas, estúpidas por não serem empáticas e atenciosas na mesma medida em que eu sou para os outros, estúpidas por não se preocuparem nem se esforçarem tanto quanto eu me esforço pelos outros…

Vendo bem, talvez a estúpida seja eu, por estar a mergulhar neste coitadismo em vez de “fazer o bem sem olhar a quem”, talvez a estúpida seja eu por estar sempre á espera de aprovação e aceitação, talvez seja mesmo estúpida por criar expectativas ilusórias, é provável que a pessoa mais estúpida para comigo mesma seja eu própria…

Mudar é difícil, por mais que eu saiba a teoria toda na ponta da língua, por mais que eu procure informação e tenha inúmeras oportunidades de aprendizagem, a mudança é difícil. Ou se calhar sou eu que não estou a querer mudar ainda… provavelmente ainda não bati com a cabeça na parede vezes suficientes para achar que está na altura e que já se faz tarde.

O quão estúpido isto é, não é?

Lamento o breu nas minhas palavras, mas é o desabafo de hoje.

02
Mar21

Costela Bukowski

aMarques

A minha costela Bukowski anda a fazer das suas.

Gosto de usar, carinhosamente, o termo “costela Bukowski” para definir os vários tipos de pensamentos e palavras que fluem sem qualquer tipo de cagança ou pudor, sem o carimbo do politicamente correcto, como se costuma dizer, a verdade nua e crua (aos meus olhos, claro está).

(Nascemos todos com essa costela).

Sempre tive tanto medo de palavras fortes, sempre tive tanto medo de ser confrontada por alguém que me fizesse vomitar os meus pensamento mais profundos e duros. Sempre fui um paspalho que quis agradar a gregos e a troianos, mesmo sabendo que se tratava de uma missão suicida e impossível.

Entretanto, chegou a pandemia, chegou o fim do tabagismo, chegou o confinamento, enfim chegaram uma serie de coisas que nos colocaram á prova e pimba, o filtro rasgou-se, agora passa o que deve e o que não deve. Não considero que isto retrate a questão de ser ou não ser uma melhor pessoa, até porque a raça humana é o que é. Para mim, o maior impacto que isto tem é mesmo a nível de liberdade, liberdade de dizer que não, de dizer o que penso, de pensar por mim, mesmo que ninguém na mesma sala concorde. Uma liberdade que sempre repulsei por se fazer acompanhar da assustadora amiga responsabilidade. Só custaram os primeiros passos, depois é outro mundo.

Algo (responsabilidade) que actualmente me fascina quer nos bons momentos quer nos maus momentos. A vida é curta demais para a desperdiçar a viver conforme as ideologias e crenças alheias.

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