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Diário aos Caracóis

Diário aos Caracóis

21
Nov21

Obrigada medo meu

aMarques

Todos temos os nossos medos, todos temos aquelas sombras negras, que em algum momento, se libertam do seu canto do nosso inconsciente e mostram-se fortes para nos fazer abrandar no caminho.


Apesar de chatas, são importantes, se soubermos trabalhar em conjunto com elas.


Se o medo não existisse, nunca teria conhecido a coragem, a vitória, a superação...


Neste momento eu sinto medo, as sombras que andavam calmas no meu inconsciente vieram á tona para me lembrar que estou prestes a iniciar um caminho com riscos, ás vezes este medo faz-me chorar e querer colo, mas hoje apetece-me abraçar o medo, apetece-me agradecer-lhe por ter estado sempre lá a fazer-me agir com cautela, apetece-me agradecer pelas vezes que me fez recuar com toda a razão de ser, apetece-me dizer-lhe que não estou chateada com ele por me fazer ficar com o peito apertado, apetece-me abraça-lo e dizer-lhe que tem o meu perdão pelas vezes que me atrasou e pedir-lhe desculpa pelas vezes que o ignorei e segui em frente sem o levar a sério.


Muitas vezes tendemos a separar as emoções boas das más, mas até que ponto isso é correcto? Todas elas não passam de emoções simples que nos ajudam a experienciar tudo a todos os segundos... seria como dizer que os dias de calor são bons e os dias de chuva são maus... que disparates, ambos são estados climatéricos simplesmente e bem necessários.


Hoje apeteceu-me ter consciência que tenho medo, mas também tenho coragem... por isso tenho fé que daqui a um ano sensivelmente possa olhar para trás de mão dada com a superação e reconhecer a vitória de todas as minhas emoções.

16
Nov21

O bom filho a casa retorna

aMarques

Ia jurar que tinha apagado a minha conta... passei por aqui apenas para cuscar sobre a vida dos outros ... da forma mais real possível, uma vez que nas redes sociais todos são lindos, ricos e saudáveis, motivo pelo qual me lembro porque não tenho uma única rede social.


Acabei por ler apenas os meus próprios posts e questionar-me "porque raio haveria eu de ter apagado o meu blog?", provavelmente alguma discussão comigo própria... não me lembro.


Feitas as contas, fiquei contente... senti saudades de escrever para mim.


Bem... por hoje sinto-me satisfeita de ter dado o ar da minha graça por estas bandas aconchegantes... estou com vontade de escrever tudo sobre estes meses que se passaram, mas ao mesmo tempo nem sei por onde começar, aconteceu mesmo muita coisa de facto.


Para já, estou apenas feliz por aqui estar, já é qualquer coisa.

 

 

24
Abr21

Estúpida

aMarques

Já comecei a frase inicial deste post umas vinte vezes e vinte vezes a apaguei, parece que nem sei escrever. Lá estou eu mais uma vez preocupada com quem vai ler em vez de me preocupar em escrever o que sinto e penso uma vez que este blog é meu.

Tal como o céu lá fora, a minha mente também está cinzenta, também está nublada, também faz frio e chove cá dentro… Pergunto-me se tenho realmente motivos para estar assim e a resposta óbvia é não, tendo em conta toda a conjuntura actual, não tenho o mínimo motivo para estar tão negra. Mas estou.

Honestamente, apetece-me chamar de estúpidas às pessoas, estúpidas por não serem empáticas e atenciosas na mesma medida em que eu sou para os outros, estúpidas por não se preocuparem nem se esforçarem tanto quanto eu me esforço pelos outros…

Vendo bem, talvez a estúpida seja eu, por estar a mergulhar neste coitadismo em vez de “fazer o bem sem olhar a quem”, talvez a estúpida seja eu por estar sempre á espera de aprovação e aceitação, talvez seja mesmo estúpida por criar expectativas ilusórias, é provável que a pessoa mais estúpida para comigo mesma seja eu própria…

Mudar é difícil, por mais que eu saiba a teoria toda na ponta da língua, por mais que eu procure informação e tenha inúmeras oportunidades de aprendizagem, a mudança é difícil. Ou se calhar sou eu que não estou a querer mudar ainda… provavelmente ainda não bati com a cabeça na parede vezes suficientes para achar que está na altura e que já se faz tarde.

O quão estúpido isto é, não é?

Lamento o breu nas minhas palavras, mas é o desabafo de hoje.

26
Mar21

Diz que escorreguei

aMarques

Neste momento quero escrever 1000 coisas ao mesmo tempo, mas estou parada a olhar para a página em branco sem saber por onde começar. Bom, um texto para cada tema, parece-me ser o mais sensato e produtivo a fazer.

Posso começar por dizer que ao final de 55 dias sem nicotina, fumei, pontualmente, apenas naquele dia, mas fumei, 4 cigarros. Não tenho qualquer tipo de desculpa que justifique a minha recaída, apenas posso afirmar que este mês de Março não está a ser fácil e que naquele dia passei por uma situação muito stressante com a qual não soube lidar e antes que escalasse para algo pior, acendi o cigarro.

Ao final do dia a situação ficou resolvida e o arrependimento bateu-me á porta, quando abri a porta apercebi-me que vinha com mais convidados, a recriminação, a vergonha, o falhanço, a cobardia, enfim, uns quantos sentimentos e sensações que deixei que me consumissem na altura. Sou muito prática nesse aspecto, antes de alguém me apontar o dedo, já eu estou na fila com a lista de tudo o que pretendo apontar a mim própria. Com amigos como eu na minha vida, não preciso de inimigos.

Após espancar-me emocionalmente comecei a lamber as feridas, não no sentido de arranjar desculpas para o efeito mas no sentido de “sou um ser humano que durante 15 anos fumou todos os dias, o mal está feito, por isso é levanta e recomeçar”.

Uma vez que o mal está feito, estou em crer que devia ter começado logo por esta última parte e não dramatizar, mas de cabeça fria todos somos uns poetas.

04
Mar21

Garantido? Só a morte.

aMarques

Recentemente envolvi-me num debate aceso por não dar nada como garantido, por não sentir que as circunstâncias actuais, as relações actuais e tudo aquilo em que eu possa estar envolvida física e psicologicamente hoje em dia seja algo definitivo e eterno, seja algo meu, a minha realidade permanente, e com tal comportamento nunca seria alguém estável ou fiável.


Conseguem ter a certeza que o céu será cinzento para sempre? Ou que vai fazer sol garantidamente todos os dias? Então porque raio é que eu devo ter a certeza que vou atender telefones até á reforma? Ou que independentemente daquele pequeno número (milhões) de factores que compõe uma relação, eu irei ficar com X pessoa, ou dar-me com Y pessoa para sempre?


A única coisa que temos garantida nesta vida é a morte, de resto, tudo está em constante mudança a toda a hora pelas mais variadas razões.


Não percebo onde é que eu pequei por querer fazer mais e melhor todos os dias mesmo que isso signifique alterar o meu emprego, alterar as minhas relações, alterar a terra em que resido, arriscar num novo projecto, alterar o que quer que seja conforme as circunstâncias me permitam ou me obriguem.


Se é isto que faz de mim alguém instável e pouco fiável, tudo bem, seria pior se me conformasse com tudo e não tentasse algo mais.

02
Mar21

Costela Bukowski

aMarques

A minha costela Bukowski anda a fazer das suas.

Gosto de usar, carinhosamente, o termo “costela Bukowski” para definir os vários tipos de pensamentos e palavras que fluem sem qualquer tipo de cagança ou pudor, sem o carimbo do politicamente correcto, como se costuma dizer, a verdade nua e crua (aos meus olhos, claro está).

(Nascemos todos com essa costela).

Sempre tive tanto medo de palavras fortes, sempre tive tanto medo de ser confrontada por alguém que me fizesse vomitar os meus pensamento mais profundos e duros. Sempre fui um paspalho que quis agradar a gregos e a troianos, mesmo sabendo que se tratava de uma missão suicida e impossível.

Entretanto, chegou a pandemia, chegou o fim do tabagismo, chegou o confinamento, enfim chegaram uma serie de coisas que nos colocaram á prova e pimba, o filtro rasgou-se, agora passa o que deve e o que não deve. Não considero que isto retrate a questão de ser ou não ser uma melhor pessoa, até porque a raça humana é o que é. Para mim, o maior impacto que isto tem é mesmo a nível de liberdade, liberdade de dizer que não, de dizer o que penso, de pensar por mim, mesmo que ninguém na mesma sala concorde. Uma liberdade que sempre repulsei por se fazer acompanhar da assustadora amiga responsabilidade. Só custaram os primeiros passos, depois é outro mundo.

Algo (responsabilidade) que actualmente me fascina quer nos bons momentos quer nos maus momentos. A vida é curta demais para a desperdiçar a viver conforme as ideologias e crenças alheias.

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